A trajetória em Cy, por Inahiá Castro

Publicamos neste post a entrevista pra lá de especial que fizemos com a jornalista e biógrafa do Quarteto em Cy, Inahiá Castro. Ela nos contou um pouco de sua trajetória profissional e pessoal, como conheceu o Quarteto e de onde surgiu a ideia de escreveu a biografia do grupo que será lançada em breve!

 

 

Blog: Quem é Inahiá Castro?

Inahiá: Apenas uma moça latino-americana sem dinheiro no banco. Falando sério, eu sou várias. Sou mãe do João Pedro, esposa do Ariel, profissional, amiga, guerreira, enfim, uma mulher brasileira como a maioria. Acredito que Jesus Cristo é “O” cara, e na mensagem de amor e salvação que ele veio nos ensinar.

 

Blog: E quando começou a escrever?

Inahiá: Sou jornalista, então, a escrita é meu instrumento de trabalho. Me comunico através da escrita desde muito pequena, mas, profissionalmente, vivo das letrinhas impressas desde 1986. A biografia do Quarteto em Cy é meu primeiro livro.

Blog: Como isso aconteceu?

Inahiá: Eu conheci a Cynara no final de 2004 pelo Orkut. Eu havia acabado de conhecer a rede e estava me familiarizando com aquilo. Deixei uma postagem na comunidade do Vinícius de Moraes e a Cynara respondeu. Achei aquilo incrível porque eu sempre fui muito fã do Quarteto em Cy. Elas sempre foram uma grande referência musical para mim. Dali em diante, começamos a nos comunicar por e-mail e msn, até que eu propus escrever a biografia do grupo e elas toparam na hora.

 

 

Blog: Como você começou a interessar-se por música, e como conheceu o grupo Quarteto em Cy?

Inahiá: Eu não sei se um dia comecei a me interessar por música. Ela já nasceu dentro de mim. Meu pai era músico e eu fui criada com música (da boa) dentro de casa. Minha vida sempre teve trilha sonora, fundo musical. Meu pai era argentino e tocava naquelas big bands de jazz dos anos 50. Na minha casa, além de jazz e tango eu ouvia muita música brasileira. Minha mãe é fã de Caymmi. Quando eu era bem pequena já cantava o repertório dele de cabo a rabo. Me lembro de um LP de uma coleção da Abril Cultural, que era do João Gilberto. Foi a primeira vez que ouvi “Chega de Saudade”. Eu devia ter uns 5 ou 6 anos e fiquei totalmente chapada com aquele som. Então, eu fui uma criança e adolescente bastante a parte do que a minha turma gostava. Eles ouviam “Earth, Wind and Fire” e eu ouvia Tom Jobim.

Cybele, Cynara, Cyva e Inahiá

 

 

Blog: Do que trata exatamente a biografia do grupo? Qual foi a inspiração para escrevê-la?

Inahiá: A inspiração foi mesmo o fato de ter tido este contato direto com a Cynara. A biografia é a história delas contada por elas, e também com as impressões de pessoas que fizeram e fazem parte da carreira delas e que gentilmente me concederam entrevistas para que eu pudesse temperar o livro. Então, além do registro histórico sobre o papel delas na música brasileira, há também histórias divertidas e curiosas que elas viveram entre elas e também com ícones da nossa música como Vinícius, Chico, Tom e tantos outros grandes nomes.

 

 

Blog: Quais foram as situações ou casos curiosos vividos por você, ocorridos neste período?

Inahiá: Olha, houve realmente muitas histórias. Os bastidores do livro dariam outro livro, na verdade. Em várias situações, eu tive que tirar pessoas da minha estante e colocar na minha vida real. Pessoas que sempre foram grandes ícones para mim e que agora me serviam cafezinho na sala de casa, como foi com Carlinhos Lyra; ou o papo descontraído e amistoso com Gilberto Gil; o passeio no barquinho azul do Menescal para chegar até o estúdio dele; e claro, como não mencionar, a meia hora de bom papo com o Chico, no campo do Polytheama. Eu realmente não idolatro ninguém e não sou do tipo de pessoa que acha que artista é um ser acima do bem e do mal, mas, quando você admira muito o trabalho de um artista, e você sabe que sua relação com ele sempre será a de fã e astro, tem que haver uma preparação mental para lidar com essas pessoas com naturalidade. Imagine, se eu tietasse o Chico, por exemplo, ele poderia se retrair e não contar as coisas tão divertidas que ele contou na entrevista. Então, eu tive que ficar ali, “olhos nos olhos” com ele, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo (rs).

Eu apostei todas as minha fichas neste trabalho. Investi tempo, dinheiro, dedicação, amor, e fé mesmo de que estaria fazendo algo bacana. Enfrentei várias dificuldades, mas cada uma delas valeu muito a pena.

Conheci pessoas incríveis durante o processo de elaboração do livro e que se tornaram irmãos de alma, como o Igor (que assina a pesquisa de discografia do livro), Bia e Ana Carla, e tantos outros desta que nós abusadamente chamamos de família “em Cy”.

Me tornei realmente amiga das “meninas”, principalmente da Cynara, que hoje é minha mais que amiga, é confidente e se tornou uma das pessoas mais importantes da minha vida. Isso valeu por tudo.

Além de artistas acima muito acima da média, elas todas são seres humanos em extinção. São pessoas de uma integridade de caráter e de uma simplicidade e transparência impressionantes, como se vê pouco hoje em dia.

 

 

Blog: Quando o livro estará nas editoras? Você enfrentou alguma dificuldade para lançá-lo?

Inahiá: Enfrentei todas as dificuldades que você puder imaginar. Desde o desprezo de editoras que não quiseram nem olhar, até o das que pegaram os originais, empilharam num canto e nunca mais me deram retorno. Mas, eu acho que é assim mesmo. Não foi só comigo. Graças a Deus, no tempo certo consegui apresentar o livro ao Rubens Ewald Filho, que está coordenando a série Aplauso, da editora Imprensa Oficial. Ele gostou muito do livro e resolveu editar. Está em fase final de diagramação, mas sem data ainda para lançamento. Creio que deva ser ainda este ano.

 

 

Blog: Como você avalia o cenário da Música Brasileira e a situação dos grupos musicais e artistas de renome hoje, no Brasil?

Inahiá: É lamentável. É claro que é preciso aparecer gente nova e, com isso, é natural que os mais antigos não tenham o mesmo espaço que antes. O duro é vê-los perder espaço para a falta de qualidade, e é isso que tem acontecido. O mercado fonográfico há muito não é mais gerido por pessoas que se importam com a qualidade musical. Agora, o que importa é vender milhões de cópias em tempo recorde. Criam-se celebridades instantâneas, que não têm o menor compromisso de criar músicas que perdurem por gerações. As pessoas gostam de música boa, é só dar a elas a oportunidade de ouvir. A música é algo que influencia diretamente o comportamento das pessoas. Na época do auge da bossa nova, as pessoas eram mais românticas, pacíficas, amáveis. Agora, o baixo nível moral, a promiscuidade, as relações frívolas são ressaltadas e exaltadas em ritmos de uma pobreza harmônica e poética nunca antes imaginada. É uma pena.

Claro que há coisas novas muito boas, mas estas também já nascem perdendo espaço para o lixo sonoro que enriquece os homens de negócios da música.

 

 

Blog: Você acha importante resgatar ícones da nossa cultura para conhecimento das novas gerações?

Inahiá: Acho fundamental. Na verdade, acho uma obrigação dos meios de comunicação, sejam eles quais forem: rádio, tevê, jornais, revistas e, claro, livros. Espero, com esta biografia do Quarteto em Cy, dar minha pequena parcela de contribuição à preservação da nossa cultura musical.

 

 

Blog: Por que os sucessos midiáticos têm mais representação hoje nas Televisões e no cenário cultural? Estamos produzindo gerações menos cultas, ou a dinâmica da cultura renova-se tanto a ponto de produzirmos vários elementos de maior interesse cultural da massa?

Inahiá: Eu acho que estamos vivendo a era da velocidade. Tudo é rápido, há muita informação e quem quiser se aprofundar em algo, acaba perdendo o bonde do futuro. É uma coisa insana que domina as pessoas. Estamos na era das celebridades instantâneas e há uma grande confusão entre ser celebridade e ser artista. Hoje, qualquer um que desfile um mini-vestido com coxas exuberantes em uma faculdade, vira uma celebridade em menos de 24 horas. O erro está em depois transformar essas figuras em “artistas”. Estamos perdendo o valor e o significado do que é realmente ser artista.

Os sucessos midiáticos tem mais representação porque geram mais dinheiro. O Tom Jobim nunca vendeu 1 milhão de cópias na vida toda,, nem a Elis ou tantos outros. Hoje, qualquer Zé Mané que faça uma rima pobre com palavras chulas consegue vender 1 milhão de cópias em uma semana. É isso que interessa ao mercado.

 

 

Blog: Uma mensagem para os leitores e fãs do grupo Quarteto em Cy.

Inahiá: “O amor vai sempre resistir, cantado em dó, ré, mi, fa, sol, la, Cy”

 

 

Contato de Inahiá Castro: inahia@uol.com.br

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