Memórias e Narrativas 2: por Dalmo Medeiros

É com muita alegria que recebemos Dalmo Medeiros, integrante do grupo MPB-4, para nos contar sobre suas memórias sobre o Quarteto em Cy. A narrativa é sua, Dalmo!

 

Já de cara, para rimar com Cynara, abro o blog do Quarteto em Cy e ouço o choro Odeon, cantado pelo Quarteto em Cy e o meu MPB4, só felicidade.

Aliás, lembro-me de que a primeira vez em que subi ao palco em show do MPB4 e Quarteto em Cy foi no Nordeste, em Recife, num clube na beira da praia. Era um palco colado a uma piscina e eu brinquei com o Miltinho, dizendo: “Estou nervoso, não é brincadeira cantar ao lado delas, se errar me jogo na piscina….” (rs).

Mas que nada, foi fácil e emocionante cantar com elas. As oito vozes soavam como um bálsamo para mim e, já na primeira música, Noite dos mascarados, de Chico Buarque, quase não entrei na minha parte: “…eu sou seresteiro, poeta e cantor…” (rsrs), desligado pela novidade de estar cantando com elas, coisa que nunca poderia imaginar que fosse acontecer um dia.

Logo depois fizemos mais shows juntos e sempre foi muito agradável cantar com elas músicas como Se todos fossem iguais a você e Falando de amor, esta última do repertório do DVD 40 anos do MPB4. E por falar nisso, esse trabalho foi para mim um dos mais emocionantes em dois momentos distintos. O primeiro, por cantar ao lado de meu tio, Cauby Peixoto, duas pérolas, uma do repertório dele, Conceição, com arranjo brilhante do Magro, e outra, Falando de amor, obra-prima do Tom, que ficou eternizada nas vozes do MPB4 com o Quarteto em Cy e foi tema de novela da TV Globo, e me deixou completamente emocionado ao lado delas. Foi um momento que nunca mais vou esquecer, desde a entrada delas no palco até o findar da música, emoção pura e lágrimas no canto dos olhos.

Quarteto em Cy na gravação do DVD de 40 anos do MPB-4.

 

Mas venho aqui para dizer que essas queridas amigas sempre fizeram parte da minha vida e formação musical, pois também sou fanático por vocal. No final dos anos 70, quando meu pai, músico da orquestra Tabajara, me apresentou à Bossa Nova, seduzindo-me com discos como Milton Banana Trio, Tamba Trio e João Gilberto, entre eles estava um disco do Quarteto em Cy, se não me engano gravado pela Elenco, com Aloysio de Oliveira, que me deixou super interessado. Os vocais dos Beatles se misturavam ao samba com sotaque baiano daquelas moças bonitas que cantavam de forma harmoniosa e super agradável aos meus ouvidos. Eu me trancava no quarto e ligava o rádio ou colocava os vinis na vitrola para tentar entender como aquelas vozes das moças do Quarteto em Cy pareciam ser uma só, porém cada uma na sua melodia, que casava e soava como o canto de um pássaro desconhecido para mim. Eu fui crescendo, aprendendo a tocar violão e, por essas influências, procurei seguir meu tio famoso, Cauby Peixoto, aprendendo também a cantar. Hoje canto no MPB4, grupo que tem sua história ligada à do Quarteto em Cy. É como se um não pudesse existir sem o outro. Graças a Deus, vez em quando subo ao palco com o MPB4 e olho para o lado e vejo o Quarteto em Cy, cada vez mais amadurecido pela estrada da música e cada vez mais…. QUARTETO EM CY. Obrigado, Cynara, Cybele, Cyva e Soninha, que os Orixás baianos estejam sempre do lado de vocês.

 

Texto: Dalmo Medeiros, do MPB4.

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