Caindo na folia!, por Cynara Faria

E como fevereiro é o mês de rasgar a fantasia, as Cys contam sobre alguns carnavais inesquecíveis. Cynara abre essa postagem especial de carnaval, e aguardem o próximo post que vem mais confete e serpentina por aí!

 

1998 – UM CARNAVAL INESQUECÍVEL

 

    

“CHICO BUARQUE DA MANGUEIRA”

“Ô yayá

Vem pra avenida

Ver meu guri desfilar, ô yayá

Ô yayá

É a Mangueira fazendo o povo sambar”.

Com este estribilho a Marquês de Sapucaí pegou fogo, literalmente (houve mesmo um princípio de incêndio num dos carros alegóricos), numa segunda-feira de carnaval, no ano de 1998.

E nós, do Quarteto em Cy, estávamos lá.

Fomos convidadas pela direção da Mangueira para desfilar no carro Abre-Alas em homenagem ao Chico, onde dividimos espaço com vários artistas que tinham, de alguma maneira, ligação musical e de amizade com o homenageado. Eram eles: Mpb4, Bethânia, Zizi Possi, João Nogueira, Marília Pêra, Olívia Byington, Edu Lobo, Francis Hime e outros.

Quando chegamos na Avenida, bem mais cedo que a hora do desfile, para a concentração, encontrei o Chico nervoso, sendo cercado e abraçado por Deus e o mundo. Ele não conseguia nem respirar, tal era o assédio da imprensa e dos organizadores da Escola, tentando por ordem no caos. Nós nos abraçamos e ele já foi “tirado” daquele bafafá para uma área mais livre.

Na concentração de uma Escola de Samba, tem de tudo. A confusão é geral mas o ambiente de alegria e excitação é justificável e contagiante, pois logo a seguir, quando os fogos pipocaram iluminando o céu da Sapucaí, Jamelão, nosso querido e saudoso intérprete, com aquele seu vozeirão, começou o “esquenta” cantando várias músicas, uma emendada na outra, todas falando da Mangueira, o que nos deu a dimensão histórica de quanto aquele momento era importante. Eu só fazia me extasiar, pois as próximas horas foram, sem sombra de dúvidas, das mais emocionantes que passei na vida.

O Quarteto em Cy subiu no carro alegórico através do carvalhão (uma espécie de guindaste com uma pequena plataforma), junto com os outros artistas amigos, e, lá fomos, cantando e olhando aquele mar de gente ao nosso redor, com os olhos e os nossos corações cheios de alegria. A adrenalina corria solta. E, o que parecia ser difícil, foi muito fácil e tranquilo. Achei que a confusão continuaria, mas, não, de cima do carro a gente passa aqueles 80 minutos, percorrendo a Marquês de Sapucaí, como se fossem apenas alguns segundos. Tudo muito rápido e…pronto,  já estávamos na Praça da Apoteose, término do desfile, nos confraternizando com todos e muito felizes por termos vivido aquela experiência única.

Lembro que na frente do nosso carro, cheinho de artistas, sambando no pé, lá iam o Gil, a Marrom (Alcione), além da Rosemary, da Beth Carvalho e de outros mangueirenses famosos e asssíduos.

O Chico mereceu toda aquela honraria. Ele apareceu no último carro, ao lado de um dos baluartes da Velha Guarda da Mangueira, o compositor Carlos Cachaça, que vinha sentadinho numa cadeira, sendo reverenciado pelo homenageado e por todo o público que o aplaudia. Foi lindo ver aquela cena. Todos merecemos estar vivendo aquele momento importante.

Passado o carnaval, em julho do mesmo ano, o Quarteto em Cy já estava indo rumo ao Japão, para cumprir uma série de 10 shows  no Sabbath’s, casa noturna da Keiko e do Taichi, em Tóquio, com sucesso absoluto. Decidimos incluir no show, o samba-enredo que havíamos acabado de cantar na Avenida, o Chico Buarque da Mangueira, e o público amou, pois também  colocamos um pouquinho do vídeo da apresentação na Avenida, o que fez o momento ficar ainda mais vibrante.

E assim foi.

A Mangueira ficou no meu coração e na minha memória.

E, tenho certeza, também ficou gravada na memória do Quarteto em Cy que se sentiu privilegiado em participar daquela experiência linda e definitiva.

                                   Cynara Faria (Quarteto em Cy)

Sônia, Cynara e Cyva no ensaio da Império Serrano para o carnaval 2011.

PS – Ainda lembrando o impacto daquele carnaval de 98, sobre o Chico Buarque de Mangueira, fomos convidadas pela Império Serrano para desfilar na homenagem que eles prestarão ao poeta Vinicius de Moraes, nosso padrinho, no carnaval deste ano de 2011. Já fizemos o ensaio técnico na Sapucaí, sambando no pé (no ensaio ainda não havia o carro alegórico) e a empolgação foi total. O samba fala dos parceiros, cita algumas músicas e o final é lindo, todos pedindo a “bênção, Vinicius”, que, aliás, é o nome do enredo. Estamos felizes de participar, mais uma vez, desta festa popular que nos emociona demais. Garanto que a torcida vai ser enorme para que a Império conquiste o seu lugar de destaque no carnaval, que é voltar ao  Grupo Especial, com a bênção do Poeta, claro.

                                        

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