Lembranças de Carnaval

Sônia e sua primiera fantasia de baiana.

“Esse ano não vai ser igual àquele que passou…” (diz a marchinha carnavalesca). Mas, é claro, “são tantas EMOÇÕES” (responde Roberto Carlos, mais uma vez no show anual na TV) e já estamos nos preparando “em vocal” para “Quando o carnaval chegar” (Chico Buarque).

Tenho alma foliona e hoje, aqui e agora, no sopé da Maria Comprida, ouvindo os sons do alvorecer e do anoitecer da floresta, vejo o verdadeiro desfile da eterna campeã e exerço o “Amor à Natureza” (Paulinho da Viola). Mas, e os carnavais de outrora? Estão lá nos velhos álbuns de retrato e nos exemplares das sempre presentes na folia e hoje encontradas nos sebos para colecionadores as revistas “O Cruzeiro”, “Manchete”, “Fatos e Fotos”. E a edição “Extra!… Extra!”? Era uma corrida às bancas de jornal.

Sônia e o irmão Célio prontos para caírem na folia!

Quando criança, ainda morando no Rio de Janeiro (Vila Isabel, de Noel), íamos para Cinelândia assistir à passagem dos blocos, os “Préstimos” com seus carros alegóricos imensos aos meus olhos infantis que brilhavam de alegria ao ver o brilho das fantasias (colombinas, arlequins, pierrôs, bailarinas, etc.) e se fechavam de medo ao ver os mascarados (caveiras, vampiros, diabos, etc.), Clovis com suas “bexigas d’água”, batendo forte no chão. Ah! Mas tinha o jatinho gelado do “Lança, lança perfume, ô, ô, ô, ô, ô lança perfume, i” (Rita Lee). Minha mãe, Célia, ela mesma costurava e bordava as fantasias para meu irmão Célio e eu. Éramos uma dupla do barulho, e como era gostoso, já adolescentes e residindo em Copacabana, pular nos palanques que eram armados nas ruas Miguel Lemos, Constant Ramos, fantasiados de tiroleses, índios, holandeses. Os bailes eram gratuitos e concorridos, e encontrávamos com nossos coleguinhas da escola, nos abraçávamos e pulávamos juntos. Na 4ª feita de Cinzas, eu rouca, sem poder atender telefone e me arrastando pela casa com a batata da perna dura de tanto pular. As marchinhas eram ótimas e sabíamos de cor. Obrigada Braguinha, João Roberto Kelly, José Messias, Lamartine Babo e tantos outros.

Conta-se que minha avó materna, Paulina, uma baiana de Ilhéus, que se casou com Mário, um petropolitano que veio residir no Rio de Janeiro em 1923, costurava as próprias fantasias para que meu avô desfilasse nos blocos na Avenida Rio Branco. Já lembrava Dona Flor e Vadinho, de Jorge Amado, em “Dona Flor” anos mais tarde.

Uma das primeiras fantasias que mamãe costurou pra mim foi uma baianinha. Lembro que o colar de bolas me apertava um pouco o pescoço, mas a saia era rodada e ninguém tocava nela.

Anos 1970.

E assim os carnavais foram passando… E eu sempre participando, foliã que sempre fui. Nos anos 70, já casada e com o Pedro nascido em 1973, desiflei pela União da Ilha. Dei sorte, pois fomos o enredo vencedor, “O Amanhã”: “a cigana leu o meu destino, o que será o amanhã?”… Saí pela Ilha por mais dois anos, sendo que na terceira vez, na Ala das Baianas (só podia ser). Meu sonho impossível sempre foi a Ala das Baianas da Mangueira, minha paixão maior (com licença das outras escolas pelas quais tenho o maior respeito). Já nos anos 90, o octeto MPB-4 e Quarteto em Cy desfilou na verde e rosa o enredo “Chico Buarque da Mangueira”, campeão de 1998. Inesquecível.

Hoje vivo plenamente o enredo “Amor à Natureza” (Paulinho da Viola), mas o coração dispara quando ouço o esquentar dos tamborins pela TV. “To me guardando pra quando o carnaval chegar…” (Quarteto em Cy – de Chico Buarque).

Vesti a minha fantasia novamente…

 

Por: Sônia Ferreira

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