Memórias e Narrativas 7: por Rodrigo Nogueira

O carioca Rodrigo Nogueira conta para o Blog do Quarteto em Cy como seu caminho se cruzou com o do Quarteto e de que forma cultua o amor e admiração pelas meninas. Mais uma narrativa muito especial.

 

 

Tenho 23 anos de idade, e desde pequeno, mais exatamente a partir dos dois anos de idade, sempre fui apaixonado por música, e especialmente, música brasileira. Ao brincar com os discos dos meus pais, tive a voz e a beleza de Gal Costa como minha primeira descoberta. E então, nunca mais parei de procurar e descobrir coisas lindas em nossa música. O Quarteto em Cy é um belíssimo exemplo.

Sempre achei curiosa a capacidade de harmonizar vozes das mais variadas extensões e de equilibrar tons que, por vezes, não poderiam se encontrar. Na história da música brasileira, os conjuntos vocais sempre foram de domínio masculino, até chegar o Quarteto em Cy. E é impressionante, porque a música brasileira é marcada pelo predomínio de suas cantoras de diversificadas vertentes.

Eu descobri o Quarteto em Cy um pouco tarde, aos nove anos de idade, se comparado com o início precoce do meu interesse por MPB. O encantamento se deu ao ouvir a beleza da gravação de “Falando de Amor”, cantada junto com o MPB-4. Esta gravação foi bem executada nas rádios além de ter sido o tema de abertura da novela “Por Amor”.

Logo após, minha avó (minha maior financiadora cultural) me presenteou com diversos CDs, dentre os quais, havia uma coletânea solo do MPB-4, outra solo do Quarteto em Cy, e outra que reunia as melhores músicas gravadas em conjunto pelos oito companheiros de vida e carreira. Foi então que aprendi a cantar, pela primeira vez, de forma arranhada, uma música em espanhol: “Me Gustan Los Estudiantes”.

Rodrigo ao lado de Cybele, Sônia e Cyva.

Ao ouvir o Quarteto em Cy interpretando, é fácil de perceber a alegria e o carinho que as meninas agregam às suas interpretações. Além disso, o capricho na seleção do repertório e na realização dos arranjos é impressionante. Isto se reflete até em álbuns surpreendentes, como “Pontos de Luz” (1982), que é o meu disco favorito, em que todas as faixas são integrantes obrigatórias do meu repertório de chuveiro.

Em 31 de julho de 2008, tive o prazer de presenciar, pela primeira vez, a beleza que é o canto das meninas, ao assistir no Centro Cultural Light, no Rio de Janeiro, ao show “Vinícius e Caymmi em Cy”. Sem dúvida, foi um dos melhores shows a que assisti, justamente pelas qualidades que sempre vislumbrei no conjunto: seleção de repertório primorosa e criatividade nos arranjos vocais.

Agora, em 11 de março de 2011, as meninas fizeram a estréia de seu novo show, ao qual também estive presente, agora na primeira fila: “O Mundo Melhor de Quarteto em Cy”. Nome mais adequado, impossível, já que o repertório escolhido inclui boa parte dos compositores mais recorrentes na obra do grupo: Vinícius, Caymmi, Tom, Chico, Noel, Paulinho da Viola, Stanislaw, dentre outros. Além disso, a voz das meninas só faz bem ao mundo, sendo um símbolo de resistência à tristeza e aos dissabores atuais. Até porque, elas fazem questão de propagar, com suas vozes um sopro de otimismo e esperança em nossos corações, como na música de Ivan Lins e Vitor Martins, gravada por elas em 1980: “com força e com vontade, a felicidade há de se espalhar, com toda a intensidade”.

Por: Rodrigo Nogueira

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