Memórias e Narrativas 9: “O meu Quarteto”, por Priscila Amaral

Nossa narrativa de hoje vem de uma jovem que, recentemente realizou seu grande sonho: conhecer pessoalmente o Quarteto em Cy. Priscila Amaral é quem nos conta toda a emoção desse encontro e um pouquinho de sua história com a música do Quarteto.

 

“O meu Quarteto”

 

Domingo era dia de Quarteto. Minha família sempre unida e musical. Em São Bernardo do Campo, e depois em Santo André, onde morávamos, meu pai, Roberto Amaral, responsável por esta realização e minha mãe, Mara Amaral, responsável por nos fazer decorar as letras em cy, acordavam eu e minha irmã, Débora – ao som de “Carta ao Tom 74”, do CD Quarteto e Vinícius em Cy.

Nossos dias eram até mais alegres e iluminados. A Bossa Nova sempre presente, de um jeito ou de outro. Quando era Quarteto, era ainda mais legal. Quando pequenas, eu e minha irmã entramos na aula de violão e a música se tornou mais forte e presente em nossas vidas. Quando fui apresentada as cifras maravilhosas da bossa, me encantei ainda mais. Tornei minhas aulas de violão em aulas de Bossa Nova.

Na realidade, não entendo muito o porquê de tanta intensidade. A Bossa Nova se tornou uma paixão inexplicável e a trilha sonora de muitos momentos em família. Meu tio, sabendo dessa paixão me emprestou o DVD dos 40 anos de Quarteto em Cy e chorei todas as vezes que assisti, sem conseguir explicar tamanha emoção.

Sempre fiquei atenta à agenda das meninas e pouquíssimos shows eram realizados perto. Meu pai, quando viu que teria um Show no Sesc Bom Retiro, logo me ligou avisando sobre a compra. Aí foi uma choradeira só, pela primeira vez em minha vida eu teria a oportunidade de conhecer as minhas queridas de perto.

Era, com absoluta certeza, um sonho que se realizaria. No dia 23 de Outubro meu coração já acordou em êxtase. Meu pai e minha mãe me perguntaram: “Pri, se você pudesse perguntar alguma coisa a elas, o que perguntaria?” Eu, obviamente não respondi, afinal, não conseguiria pensar em nada.

O Show começou e seu andamento foi maravilhoso. As músicas foram lindamente cantadas e eu, é claro, chorei ao som de Samba da Bênção (minha preferida) “é melhor ser alegre que ser triste”. O show acabou e nos levantamos para ir embora. Esperei do lado de fora que elas saíssem para que pudesse pegar, ao menos, um autógrafo… o que aconteceu depois daí não consigo descrever direito, foi demais….

Cynara saiu do teatro e foi em direção ao meu pai, cumprimentá-lo. Ela olhou para ele e em seguida para mim e disse: “Você é a Priscila?”. Eu coloquei as mãos sobre o rosto e chorei sem parar. Abracei uma por uma, bem forte, e me reconfortei nos braços das meninas mais simpáticas e carinhosas que conheci. Foi muita emoção realizar um sonho dessa maneira.

Consegui falar algumas palavras em meio a tanta emoção, mas gostaria de poder dizer muito mais. É indescritível o que aconteceu comigo aquele dia. O meu pai, meu herói, foi responsável por me apresentar ao Quarteto em Cy e me fazer lembrar os domingos que cantava e das cifras que tentei decifrar. Realizar este sonho foi, também, compreender o lado humano que há por trás da bossa e me esbaldar nos abraços que ficarão eternamente guardados em meu coração.

Atualmente, moro em Franca, no interior de São Paulo e estudo Jornalismo. Estou produzindo uma pesquisa sobre Bossa Nova e as meninas terão um capítulo reservado.  Quarteto em Cy foi trilha de muitos momentos e hoje é momento em trilha. Obrigada Cynara, Cyva, Sônia e Cybele por realizarem este sonho.

 

Priscila Amaral – 06/11/2011

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