“As Girls from Bahia eram até melhores que o Quarteto em Cy”

Esse é o título (um tanto quanto curioso) da reportagem feita por Juarez Fonseca para o ABC Domingo, publicada dia 19. Ele comenta sobre o lançamento de “Pardon my English” e “Revolución con Brasilia!”, discos lançados este mês (falamos sobre eles no post anterior) e que contam um pouco da carreira internacional do Quarteto.

 

 

“As Girls from Bahia eram até melhores que o Quarteto em Cy”

 

Quarteto em Cy, as “The girls from Bahia”, em carreira internacional. Nos EUA, com Marcos Valle, no programa de Andy Williams, o “Andy Williams show.”

 

Auge da bossa nova: o show Vinicius e Caymmi  no  Zum-Zum  com  o  Quarte-to  em  Cy  é  um  dos  acontecimentos  musicais do Rio de Janeiro, meses em cartaz em 1964/65. Lançado em LP ao vivo pela hoje lendária gravadora Elenco, ajuda a transformar o grupo das quatro irmãs baianas apadrinhadas por Vinicius em sucesso nacional. Tanto, que o produtor do disco e dono da gravadora, Aloysio de Oliveira, conhecedor  do  mercado  norte-americano (onde atuara com Carmen Miranda), resolve lançá-las nos EUA. Lá, recebem o nome de The Girls From Bahia e fazem dois discos, em 1967 e 68, ambos com arranjos de Oscar Castro Neves – o mesmo do show na boate Zum-Zum. Os álbuns chegam des-percebidos ao Brasil, não têm divulgação – até para não confundir o público do Quar-teto em Cy. Pois 45 anos depois estão de volta, pela primeira vez em CD, em relançamento da gravadora Discobertas. São duas pérolas, reunindo algumas das melhores gravações da história do grupo.

No primeiro, que tem o bem-humorado título Pardon My English, estão, entre outras, Tears (Razão de Viver, de Eumir Deodato/ Paulo Sérgio Valle), Você (Menescal/ Bôscoli), Canto de Ossanha (Baden/Vinicius), Useless Landscape (Inútil Paisagem, de Tom Jobim/Aloysio de Oliveira), as americanas Oh Susannah (tradicional) e Bye, Bye Blackbird (Dixon/ Henderson). Em Revolución con Brasília!, o segundo, desta-cam-se Berimbau  (Baden/Vinicius), Din-di  (Tom/Aloysio),  Manhattan  (Rodgers/ Hart), The Old Piano Roll Blues (Cy Co-ben), a hilária versão Edmundo, de Aloysio, para In the Mood (Garland), e, ambas de Chico Buarque, Tem Mais Samba e Parade (A Banda).

Acostumados a muitos e bons conjuntos vocais, alguns críticos americanos definem o estilo musical do grupo como “cool jazz with a latin beat”. As Girls From Bahia eram mais que isso, ou diferentes disso. Com graça e harmonizações vocais perfeitas se apresentaram com relativo sucesso em clubes e universidades, mas sua aventura terminaria aí. Além de ter começado a enfrentar problemas com mudanças na formação, o grupo não tinha estrutura para segurar aquela barra. Uma pena, pois poderia aproveitar o vácuo de Sérgio Mendes e Brazil’66, já estourando lá e no mundo, com um repertório até parecido. Comparando-se com hoje, naquela época era quase fácil entrar no mercado norte-americano. Ainda mais impulsionado por um cara como Ray Gilbert, produtor-executivo da Warner Bros. e versionista da música brasileira para o inglês. Chances com essa se tornariam raras no futuro. Mas uma herança é definitiva: estes dois discos surpreendentes.

 

Por Juarez Fonseca. Publicado em 19/02/2012, na coluna Aldeia do ABC Domingo.

Recuperando o momento registrado pela foto que ilustra este post, vamos assistir juntos à participação das “The Girls from Bahia” no programa de Andy Williams. Nesta época, o Quarteto em Cy era formado por Cyva, Cybele, Cynara e Cyregina. Elas cantam “Até Londres (Tup-a-tup)”.

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