Sabiá e a histórica vaia – parte I

Tom Jobim, Chico Buarque, Cynara e Cybele. Palco do Maracanãzinho, 1968. Uma das cenas mais emblemáticas da nossa música aconteceu nesta ocasião. Cynara e Cybele defendendo Sabiá, de Tom e Chico sob a vaia de mais de 20 mil pessoas no Maracanãzinho. O que de fato aconteceu naquele dia? Por que a vaia histórica à Sabiá? Resgatamos uma reportagem da época, publicada no Jornal do Brasil, em que muitas questões foram esclarecidas com relação a esse dia. Vamos descobrir como tudo aconteceu nesta primeira parte de “Sabiá e a história vaia”.

 

 

FESTIVAL: Música, vaia e política

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro. Caderno B. 1º de outubro de 1968.

Cynara e Cybele, ao lado de Tom e Chico.

Cynara e Cybele, ao lado de Tom e Chico.

Tom Jobim, Chico Buarque e o júri receberam uma vaia política – o defeito de Sabiá na ótica das arquibancadas, era apenas o de não ter o engajamento de Pra não dizer que falei de flores. O video-tape da noite de domingo será visto na Europa e nos Estados Unidos, e certamente norte americanos e europeus ficarão chocados com a participação do público carioca. Não vão entender por que o povo passou a noite inteira aplaudindo todas as músicas – e especialmente o Tom Jobim – e no último ato se voltou contra o que o júri escolheu como a melhor.

Ao entrar no palco do Maracanãzinho domingo, pouco depois das 21 horas, Tom Jobim foi delirantemente aplaudido de pé por mais de 20 mil pessoas que lotavam o estádio.

Duas horas depois, Tom Jobim voltou ao palco levado por outros compositores e foi recebido por uma antipática vaia que partiu do mesmo público. Os convidados estrangeiros do Festival da Canção não estavam entendendo muito bem essa mudança repentina. Os outros compositores brasileiros participantes ficaram entre chocados e assustados com essa reação. Muitos deles, que têm em Tom Jobim um mestre e um amigo e lhe reservam um lugar sagrado na música popular brasileira, estavam revoltados.Cynara e Cybele Chico e Tom Sabiá

Mas a vaia que partiu do público e que se prolongou por 22 minutos ao final do espetáculo não era dirigida a Tom Jobim e Chico Buarque, mas ao resultado e ao júri, que escolheu Sabiá para o primeiro lugar.

Embora toda a admiração que o público sente por Tom tenha sido demonstrada e provada neste festival em duas oportunidades, numa das mais intensas demonstrações de entusiasmo, a vaia ao final do espetáculo de domingo foi a única forma encontrada pelo público para demonstrar seu descontentamento.

Durante todo o decorrer do festival, em dois espetáculos anteriores, o mesmo na apresentação das 20 finalistas, domingo, a reação do público foi correta, em termos de respeito pelos compositores e músicos concorrentes.

A opinião do público era demonstrada através de maior ou menor número de aplausos, e até mesmo as torcidas organizadas, com faixas e tudo, respeitavam e aplaudiam as outras concorrentes. Principalmente na final de domingo, na fase da apresentação das 20 músicas, o entusiasmo do público foi geral, e a vibração provocada por todas as concorrentes se manifestava por aplausos, faixas, pessoas dançando e cantando em coro.

(Continua no próximo post)

Fotos: arquivo pessoal de Cynara Faria.

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