Muito prazer: Trio Amaranto

Flávia, Lúcia e Marina. Três irmãs mineiras, donas de vozes super afinadas e que formam o “Trio Amaranto” são as nossas convidadas. Realizei esta entrevista há dois anos, para outro veículo, mas faltava ser publicada aqui no Blog do Quarteto em Cy, pois o Amaranto, em sua gênese, bebeu na fonte musical do Quarteto em Cy, como nos contam agora. Conheçam e compartilhem do talento do Trio Amaranto.

 

 

Marina, Lúcia e Flávia: Trio Amaranto.

Blog: Como nasceu o Amaranto? Quem são as integrantes do trio?

Amaranto: O Amaranto nasceu em casa, na cidade de Belo Horizonte. Somos irmãs e desde muito cedo cantamos juntas, informalmente, abrindo vozes de forma espontânea. Viemos de uma família muito musical, mas fomos as primeiras a trabalhar com música profissionalmente. Flávia, a mais velha, começou a estudar música desde seus 14 anos e Lúcia, a do meio, desde os 12. Isso acabou criando mais espaço para a música dentro de casa. Flávia estudou violão e Lúcia, flauta. Muito cedo começaram a dar aula na mesma escola em que se formaram: Fundação de Educação Artística. Eu comecei a estudar música na mesma escola na época em que formamos o grupo, inicialmente com o nome de “Rosa dos Ventos”. Estava com 16 anos e iniciei o curso de piano. Flávia e Lúcia deram sequência aos estudos de música, nível superior, assim que a primeira concluiu a graduação em Publicidade e Propaganda, e a segunda resolveu por largar o curso de Veterinária no quinto período. Graduaram-se em violão e flauta, respectivamente. Eu, além do curso livre de música, me formei em Psicologia e em Teatro pela Fundação Clóvis Salgado. Hoje, o Amaranto está com 12 anos de carreira, e ainda mantém o mesmo amor à música e ao laço que nos mantém juntas.

 

 

Blog: Por que o trio foi batizado com o nome de uma flor?

Amaranto: O Amaranto sempre gostou de flor. Antes de cantarmos juntas, Flávia e Lúcia tinham um grupo que se chamava “Flor de Cal”. Depois, já com a formação das três irmãs, escolhemos “Rosa dos Ventos”. E por fim, quando constatamos a necessidade de criar outro nome em função do registro de marca, Amaranto surgiu, e quando fomos ver, significava flor. O nome foi sugerido por um amigo músico e logo acatado. É um nome que representa família e o valor da música de qualidade que transcende a passagem dos tempos. Amaranto é uma família de flores, das “sempre-vivas”, que quando arrancadas da terra, mantém a cor por muito tempo. Flor representa para o grupo o que pretendemos com a música: cheiro, lembrança, cor, união, amor. No caso de Amaranto, foi um nome que nos escolheu.

 

 

Blog: Em que momento perceberam que a música estava ganhando espaço profissional em suas vidas?

Amaranto: De forma muito natural. Foi quando vimos que o que fazíamos, com paixão e dedicação, tinha um ótimo retorno do público. E isso se deu na medida em que nosso trabalho foi sendo mais cogitado e o tempo para as outras coisas, cada vez mais tomado pela música.

 

 

Blog: A formação musical de vocês se deu de que maneira? Começaram a estudar música ou algum instrumento desde pequenas?

Amaranto: A formação musical primeira foi de berço. O incentivo de casa, músicas de qualidade que os pais ouviam, o avô paterno que tocava piano e compôs o hino de sua cidade natal (Floresta-PE), a avó paterna que tinha a voz muito bonita e límpida, o avô e a avó maternos também muito musicais, que cantavam com a gente, os tios e as tias maternos que cantavam juntos e adoravam participar das nossas brincadeiras musicais… Nossos pais nos abriram canais para música. E eles cantam também. Se nosso pai não fosse médico, daria um ótimo cantor, mas é um pouco tímido para cantar. Enfim, os instrumentos chegaram de mansinho, mas sempre estiveram presentes. Foi na adolescência que começamos mesmo o estudo formal da música, mas o mais determinante para essa escolha foi, com certeza, a forte presença da música na família. O bom foi que a vivência, a experiência musical, se deu antes da sistematização do conhecimento.

 

 

Blog: Que cantores, compositores e grupos vocês trazem em sua bagagem musical?

Amaranto: A bagagem musical do grupo é grande, ainda mais que por sermos três, o contato com diversas sonoridades se amplia. Vale destacar que quando mais novas, recebemos três fortes influências. A do pai, que ouvia muito The Platters, Elvis Presley, Willie Nelson, Roberto Carlos. A da mãe, que gostava muito de Chico Buarque, Milton Nascimento, Tom Jobim, 14 Bis, Clube da Esquina, etc. A terceira influência veio de amigos, com quem escutamos muito Beatles, Queen, Simon e Garfunkel, Carole King…

 

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Lúcia, Marina e Flávia: Trio Amaranto.

 

Blog: O Amaranto teve influência de algum conjunto vocal como, por exemplo, do Quarteto em Cy?

Amaranto: As tias maternas, por escutarem muito os grupos vocais, como Quarteto em Cy, MPB4, 14 BIS e Boca Livre, acabaram por influenciar bastante. As tias, junto com nossa mãe, tinham hábito de brincar de abrir vozes e isso ficou marcado. Hoje, muitas pessoas fazem referência do trabalho do Amaranto com o Quarteto em Cy, principalmente porque são todas mulheres, mas o que se vê ao fazer uma análise dos arranjos vocais é que a proximidade sonora é maior com o que faz o Boca Livre.

 

 

Blog: Além de companheiras na vida musical, vocês são companheiras na vida pessoal, já que as três são irmãs. Vocês acham que a música intensifica essa união familiar?

Amaranto: A música intensifica a união familiar e vice-versa. O tempo inteiro vivemos música. Se não estamos envolvidas com o trabalho profissional (que se gera de forma tão prazeirosa que esquecemos o quão profissional é), estamos brincando com a música em família, com os filhos, sobrinhos, pais e maridos. Quase não dá para separar o que é música, do que é trabalho, do que é família. É tudo uma coisa só.

 

 

Blog: O trio tem quantos discos gravados? Quais são eles?

Amaranto: São cinco discos. Retrato da Vida, que homenageia Djavan; Aos olhos de Guignard, que trabalha as canções do compositor Flávio Henrique, junto com a cantora Marina Machado; Brasilêro, que contempla várias canções de compositores mineiros e paulistas, como Tavinho Moura, Fernando Brant, Milton Nascimento, Beto Lopes, Rodolfo Stroeter, Mário Gil, incluindo canções de composição do próprio grupo; Três Pontes, um disco que contempla a faixa etária mirim; Três Estações, que homenageia, junto com Geraldo Vianna e Fernando Brant, a obra de Dorival Caymmi.

 

 

Blog: Como vocês escolhem o repertório para um novo trabalho?

Amaranto: O repertório chega. Às vezes por uma das três ter gostado muito de determinada canção. Outras vezes por oportunidade de algum evento que encomenda arranjo para alguma música. Enfim, não é nada burocrático.

 

 

Blog: Este ano o Amaranto comemora 12 anos de carreira, com seu primeiro disco completando 10 anos de existência. Se vocês fossem fazer um balanço desses anos, qual momento destacariam como o mais marcante e por quê?

Amaranto: O momento mais marcante foi ter esgostado o Grande Teatro do Palácio das Artes por dois dias seguidos, na ocasião do lançamento do “Brasilêro”. Poucas vezes o público mineiro lota por duas vezes o teatro para assistir a um grupo independente. O mais comum é pagarem alto para verem artistas de fora. Mas dessa vez foi surpreendente. Outro momento marcante foi ter cantado em Washington, a convite da Embaixada Brasileira, como grupo representante de Minas Gerais.

 

 

Blog: Assim como o também mineiro Carlos Drummond de Andrade, vocês encontraram muitas “pedras no meio do caminho” nesses 12 anos de estrada?amaranto-8

Amaranto: São muitas pedras, sim. Principalmente, quando o que se tem a fazer é manter o grupo. Manter o grupo é mais complicado do que lançar o grupo. Depois de anos de carreira e com a atividade profissional bem definida, a dificuldade, que não é só do Amaranto, mas de vários artistas, é conseguir a mesma força de antes para correr atrás de patrocínios. Quando o Amaranto começou, ainda estava em tempo de “bum” da lei de incentivo à cultura. Hoje, as empresas se acomodaram um pouco à facilidade que têm e viciaram os artistas a conseguirem o que querem após muito esforço e trabalho. Há um desvio do uso da lei e além do mais, há muita gente se nomeando artista só porque tem um vídeo no you tube, etc. Ser artista hoje, não é algo para poucos. Pelo contrário. Todo mundo se dá a fazer música e o mercado nem mais seletivo está. Mas por outro lado, é uma carreira de muitas pedras, mas que fornece um prazer incomensurável.

 

 

Blog: As comemorações por essa década do seu primeiro cd, trarão disco e shows novos?

Amaranto: Foi feito um relançamento do primeiro disco, que estava esgostado há cinco anos. Foi uma grande comemoração e uma conquista termos conseguido fazer nova tiragem, graças à ajuda do músico Geraldo Vianna, que tem um selo que diminui os custos de direitos autorais, para artistas independentes. Em breve, vamos gravar um cd com músicas excencialmente do grupo. É um momento de maior ousadia.

 

 

Blog: Qual o principal objetivo do Amaranto para os próximos 10 anos?

Amaranto: Continuar vivendo de música. Não é uma realidade facilmente conquistada.

 

 

Blog: Quais os projetos musicais que vocês pretendem realizar no futuro?

Amaranto: São vários projetos. Dvd dedicado às crianças, outro para adultos, e muitas novas canções. O projeto mais recente é a gravação de um cd com a maior parte das músicas de nossa autoria.

 

 

Blog: O que gostariam de cantar que ainda não cantaram?

Amaranto: Cantamos “Makin whoopee”, homenageando a interpretação de Ella Fitzgerald e pretendemos um dia fazer um show só com músicas do jazz.

 

 

Blog: O ofício de cantor exige um cuidado especial com a voz. O que vocês fazem para manter a voz saudável?

Amaranto: Além de aquecimentos vocais, incluindo exercícios de alongamento corporal e de concentração, bebemos muita água e chá. Não fumamos e só bebemos socialmente. Em dias de show, quando possível, procuramos dar maior descanso à voz e ter uma noite de sono melhor.

 

 

Blog: Como o Amaranto vê o cenário musical brasileiro atual? O que vocês têm ouvido ultimamente?

Amaranto: O cenário musical é vasto e de muita qualidade. O único problema é que na maioria das vezes o que ganha maior proporção é a música feita de forma medíocre. Estamos sempre revisitando músicas dos clássicos, que continuam atuais, como Noel Rosa, Cartola, Tom Jobim, Chico Buarque, Clube da Esquina, Milton Nascimento, João Gilberto, Nara Leão, família Caymmi, entre tantos que fica difícil citar. E ouvimos também outros tantos artistas, que como nós, trilham carreira independente, como os parceiros Mônica Salmaso, Ladston do Nascimento, Titane, Marina Machado, Tabajara Belo, Renato Braz, etc… são muitos.

 

 

Blog: Vocês acreditam que o estímulo musical na escola pode despertar a vontade dos jovens a profissionalizarem-se nesta área?

Amaranto: Toda e qualquer influência positiva e não opressora da música pode ser determinante na vida de qualquer pessoa. Desde que a influência seja verdadeira, da alma, ela irá ressoar nas pessoas de algum modo.

 

 

Blog: Que dica vocês dariam para alguém que está começando na carreira musical?

Amaranto: Que a pessoa não tenha ilusões de fama. A satisfação propiciada pela carreira musical é imensa e tanto maior, quanto maior o envolvimento. A fama afasta o artista da sua arte. O bom é iniciar uma carreira desejando estabilidade e continuidade. Só nisso já tem muito pano pra manga.

 

 

Blog: Deixem uma mensagem para seus fãs e para as pessoas que estão conhecendo o trabalho do Amaranto agora.

Amaranto: O Amaranto espera que um pouquinho do que fazemos com a música, possa atingir a sensibilidade das pessoas, de alguma forma.

Marina Ferraz (pelo grupo Amaranto)

Fotos: Elmo Alves.

Contato Amaranto: (031) 9164.7284

Site: www.amaranto.com.br

Blog: http://amaranto.soubh.com.br

Videos no You Tube: amaranto98

 

 

Vamos conferir como foi a participação do Trio Amaranto no programa Sr. Brasil, da Tv Cultura, no finalzinho do ano passado. Não deixe de acessar o site do grupo e o blog também que estão recheados de novidades.

 

Parte 1

 

Parte 2

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